O futuro do RH: ser uma EdTech

RH Abr 04, 2021


Há 70 mil vagas de tecnologia a serem preenchidas por ano no Brasil e não estamos nem perto de ocupá-las. A falta de talentos nas startups e empresas é um gargalo enorme e logo vai restringir o crescimento de negócios inovadores. O mercado já se movimentou para preencher esta demanda com as Escolas de Programação e seu modelo de Income Share Agreement (falei disso aqui), recentes aquisições como a da PM3 pela Alura e até mesmo grandes grupos de educação lançando suas ofertas para profissionais de TI - como a Kroton.

Mas o que mais vai acontecer?

O RH vira EdTech: Nubank University, iFood Academy, Itaú Coding School

Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. A quantidade de talentos disponíveis no mercado é restrita - o que gera uma guerra de salários insustentável no longo prazo. As escolas de programação vêm para criar esses talentos do zero com a promessa de te fazer uma programadora ou designer em 6 meses. O RH do Nubank, iFood, Itaú e outras passa a ter duas escolhas: esperar o mercado preencher as vagas naturalmente ou criar sua própria escola de formação de talentos.

O conceito de universidade corporativa é batido, mas agora o que vai acontecer, ao meu ver, é o conceito de "extensão corporativa". Para competir eficientemente por talento, o RH das empresas vai ter que lançar suas próprias escolas para criarem talentos do zero.

Isso vai gerar um espaço para as edtechs fornecerem a plataforma, o conteúdo e a operação para o RH em formato white label - pense School-as-a-Service. A Holberton, escola de programação americana, acaba de receber investimento da RedPoint eventures e veja o que dizem sobre o foco nos próximos meses:

Matéria de o Globo sobre o investimento de US$ 20 milhões que a Holberton Recebeu

Já existe um conceito de Online Program Management (OPM) nos EUA, em que empresas de tecnologia ajudam universidades e grupos de educação a lançarem seus cursos no formato online oferecendo plataforma, operação, marketing e análise de dados para as mesmas.

Uma grande empresa neste setor nos Estados Unidos é a 2U - IPO na NASDAQ. No Brasil, a UOL EdTech é o principal player de OPM e recentemente recebeu investimento do SoftBank. Seu foco é em universidades e em empresas para capacitação interna - competindo diretamente neste caso com Degreed, Canva, Brightspace e outras gigantes.

Minha hipótese é de que o OPM será aplicado não só à Universidades mas à empresas que precisam de talento para áreas de tecnologia. Isso vai abrir um grande mercado e levar a uma disrupção no ensino superior: porque um estudante vai pagar uma mensalidade para a Estácio se ele pode entrar em um curso oferecido pelo Bradesco com uma grande chance de contratação ao final?

Ao final toda empresa, independentemente de sua área, terá que se tornar, por sobrevivência, uma edtech.

School-as-a-Service: quem está posicionado para construir?

A Galena não trabalha neste modelo, mas está começando a atacar uma das pontas do mesmo: ela faz parceria com grandes empresas que estão dispostas a financiar o desenvolvimento cursos para jovens de baixa renda que depois poderão ganhar um salário de R$ 2.500 nestas mesmas empresas. Isso ao meu ver é o MVP do modelo geral de School-as-a-Service.

Outra empresa que já fez algo interessante foi a Gama Academy, que se posiciona como "Education Recruitment" ou recrutamento por meio de educação. Aqui, também é interessante ver este "MVP" do School-as-a-Service pois acredito que a customização de oferta para cada empresa - que é o que a Gama parece ter feito até aqui - é difícil para escalar.

Landing page da Gama para empresas

Para as empresas, o modelo vai requerer um "empréstimo" de sua marca e um subsídio para a operação, o que não é nada mal considerando o ganho de branding e a atração de talentos. Para a EdTech os desafios são conseguir escalar o conteúdo de uma forma a evitar o problema da customização 100% para cada empresa. Idealmente a EdTech terá todos os componentes pedagógicos de uma boa oferta como conteúdo, avaliações, projetos, tutoria, mentoria e etc e irá apenas distribuir a intensidade deles de acordo com o cliente (a empresa).  O modelo de negócios baseado em Income Share Agreement também pode ajudar os dois lados - EdTech e empresa - a rodar a operação com escala.

Ao meu ver, antes de ofertar a sua plataforma e operação para empresas é preciso que você seja uma escola em si. Portanto, quem está mais bem posicionado para essa oferta são aqueles que já ofertam seus cursos atualmente e possuem um pé grande em tecnologia dentro de casa para "produtizar" a oferta de uma forma escalável. Para ver os mais bem posicionados neste mercado, veja meu post sobre as 6 principais escolas de programação do momento.

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Amaral Medeiros

Empreendedor @ ChatClass, acelerada por Google / Facebook e com 400 mil alunos em 🇧🇷 🇩🇪. Co-autor de livro de Stanford sobre ensino de coding, Ex-Líder Transfor. Digital @ Instituto Ayrton Senna

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